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NEMOC - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA OMAR CATUNDA

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PROF. OMAR CATUNDA

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Prof. Omar Catunda

Faleceu no dia 12 de agosto de 1986, em Salvador, onde residia desde 1963.

Nasceu a 23 de setembro de 1906, em Santos. Formado na Escola Politécnica de São Paulo em 1930, trabalhou como engenheiro da Prefeitura de Santos por breve período. Em 1933, prestou concurso para a cadeira de Cálculo Infinitesimal da Escola Politécnica. Revelou então uma formação matemática muito superior à que poderia obter nos cursos da época. Os dois membros da banca qualificados como matemáticos, Lélio Gama e Teodoro Ramos, reconheceram seus méritos e lhe atribuíram o primeiro lugar, que os outros três conferiram a outro candidato.

Porém, em 1934, quando da fundação da Universidade de São Paulo, nasceu a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Teodoro Ramos, que tivera papel primordial na escolha dos professores estrangeiros que participaram da fundação, lembrou-se de seus ex-aluno e candidato preferido à cátedra, oferecendo-lhe o lugar de assistente de 1ª categoria, e daí tem início a carreira acadêmica de Omar Catunda.

Foi assistente de Luigi Fantappiè, matemático italiano de renome, professor da Universidade de Bolonha e que teve grande influência no desenvolvimento da matemática no Brasil. Não só iniciou vários jovens à pesquisa em sua área, a Análise Funcional, como teve papel central na reformulação do ensino da Análise Matemática, introduzindo o tratamento típico dos tratados italianos de Severi e outros, em substituição aos textos ainda usados aqui mas já esquecidos em centros avançados.

Em 1937, no fascículo n.2 da Revista de Matemática Pura e Aplicada sai o artigo de Catunda sobre Funções de funções de matrizes. Primeiro trabalho de um brasileiro do Departamento de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, primeira pesquisa publicada a refletir diretamente a influência de Fantappiè na Matemática do Brasil.

Em 1938 Omar Catunda foi à Itália em viagem de estudos, e dessa biagem resultou seu trabalho Um teorema sugl’insiemi, Che si recomnnette allá teoria dei funzionali analitici, Rend. Lincei, XXIX (1939) p. 15. Em 1942, apresentou o trabalho Sobre os sistemas de equações de variações totais, em mais de um funcional incógnito, Anais da Acad. Brás. De Ciências, XIV (1942) p. 109. Por essa época Catunda alarga o campo de seus estudos, extravasando da Matemática italiana da época. Estuda Topologia no texto de Alexandrov, Álgebra no texto de Van der Waerden, sendo dos primeiros brasileiros a faze-lo. Reflexos disso aparecem em sua tese Sobre os fundamentos da teoria dos funcionais analíticos, apresentada em 1944 para concurso à cadeira de Análise Matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Omar Catunda exerceu significativa influência na formação de vários matemáticos brasileiros. O curso de Análise Matemática, em vários volumes, que redigiu segundo as idéias de Fantappiè, foi usado por décadas na Faculdade de Filosofia da USP e em vários outros centros do país. O trabalho de Catunda em São Paulo garantia que nos cursos de Análise se mantivessem níveis de exigência e seriedade pouco comuns. E nesses cursos introduzia freqüentemente tópicos especiais, na época quase desconhecidos no país, como o curso de um semestre da Teoria de Galois, ministrado em 1943 como parte do segundo curso de Análise Matemática.

Catunda não se preocupava apenas com o ensino na Universidade, mas também, e muito, com o ensino da Matemática em todos os níveis. Escreveu em jornais e fez conferências sobre o assunto, preocupou-se enormemente com os aspectos negativos da Matemática Moderna no ensino secundário, e a conseqüente eliminação de parte significativa do conteúdo essencial da disciplina.

Aposentando-se na USP em 1963, foi contratado pela Universidade Federal da Bahia, onde permaneceu por vários anos até se aposentar.

Omar Catunda era possuidor de vasta cultura e acentuado senso humanitário. Tinha grande interesse pelos problemas nacionais, tanto no domínio das ciências e das artes como nos campos político, econômico e social. Escreveu inúmeros artigos nos jornais e comparecia sempre às reuniões anuais da SBPC, onde participava ativamente dos debates.

A generosidade e o desprendimento foram sempre a marca de todas as ações de Omar Catunda, o que, aliados às suas outras qualidades, faziam dele uma personalidade cativante que influenciava beneficamente todos os que o acercavam.

[Nota extraída da Revista Matemática Universitária n. 4, SBM – dez. 1986, 9. 12-14].

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