Autora:
Profª
Maria Cecília Bonato Brandalize – PUC-PR
15. Planialtimetria
É
a representação das informações planimétricas e altimétricas,
obtidas dos levantamentos já descritos anteriormente, em uma única
planta, carta ou mapa.
A
finalidade da planta planialtimétrica é fornecer o maior número
possível de informações da superfície representada para efeitos de
estudo, planejamento
e viabilização de projetos.
Como
já foi visto, a planimetria permite representar os acidentes geográficos
(naturais ou artificiais) do terreno em função de suas coordenadas
planas (x, y).
A
altimetria, por sua vez, fornece um elemento a mais, que é a
coordenada (z) de pontos isolados do terreno (pontos cotados) ou de
planos horizontais de interseção com o terreno (curvas de nível).
Segundo
GARCIA e PIEDADE (1984), a planta planialtimétrica é utilizada para:
¬
Escolha do melhor traçado e
locação de estradas (ferrovias ou rodovias)
Através
da planta pode-se determinar:
Declividade
máxima das rampas
Mínimo de curvas necessário
Movimentação de terra (volumes de
corte e aterro)
Locais sujeitos a inundação
Necessidade
de obras especiais (pontes, viadutos, túneis...)
Linhas de transmissão: energia
Através
da planta faz-se o estudo:
Direção
e largura da faixa de domínio da linha (perfis longitudinal e
transversais)
Áreas de desapropriação
Melhores
locais para instalação de torres, postes, centrais de distribuição,
...
®
Dutos em geral: óleo, gás, água,
esgoto, produtos químicos, etc.
Através
da planta é possível:
Estudar
o relevo para a idealização do projeto (perfis, declividades, etc.)
Determinar
pontos onde é necessária a utilização de bombas para recondução
do escoamento
¯
Serviços de terraplanagem
Através
da planta é possível:
Estudar
o relevo para fins de planificação
Determinar os volumes de corte e
aterro necessários à construção de casas, edifícios, sedes de
fazenda, silos, ...
Retificar
as curvas de nível segundo os projetos idealizados
°
Construção de açudes,
barragens e usinas
Através
da planta é possível:
Determinar
a área a ser ocupada pela água e o volume que será armazenado
Projetar o desvio provisório de
cursos d’água ou rios
Realizar
o estudo de impactos ambientais (fauna e flora)
±
Planejamento do uso da terra
Através
da planta é possível:
Estudar
e classificar os tipos de solos
Organizar o plantio por curvas de nível
Prevenir a erosão
Realizar estudos e idealizar
projetos de irrigação (a partir de fontes naturais) e em função do
tipo do terreno (plano, ondulado ...)
Determinar a economia mais
apropriada para a região (criação de gado, plantio de arroz,
cultura de café, soja ou milho)
Preservar
áreas de interesse ecológico e ambiental
Æ
Planejamento urbano
Através
da planta é possível:
Estudar
e planejar a direção das vias (insolação, acesso, etc.)
Estudar e planejar áreas
industriais (controle da poluição e de resíduos)
Estudar e planejar áreas
comerciais
Estudar e planejar áreas
residenciais (altura das edificações, afastamento das vias, insolação,
etc.)
Estudar
e planejar
áreas de
lazer e
recreação (parques,
jardins, praças, museus, centros históricos, etc.)
Estudar e planejar a distribuição
de escolas, hospitais, postos de saúde, etc.
Estudar e planejar o tráfego
Estudar
e planejar o transporte coletivo e o recolhimento do lixo
Ç
Peritagem.
Através
da planta é possível, inclusive:
Avaliar
juridicamente a propriedade, estimando preço de venda e valores de
tributação
16. Avaliação de Áreas de Figuras Planas
Como
descrito acima, de posse da planta, carta ou mapa, o engenheiro pode
dar início aos estudos que antecedem às fases de planejamento e
viabilização de diversos projetos.
A
avaliação de áreas de figuras planas faz parte deste estudo
preliminar e tem como objetivo informar ao engenheiro quais as áreas
aproximadas envolvidas por um determinado
projeto.
Os
métodos de avaliação de áreas de figuras planas são muitos. A
seguir, encontram-se os principais.
16.1.
Método de Equivalências Gráficas
Segundo
ESPARTEL (1987), são muitos os métodos que permitem, através de
equivalências gráficas, determinar a área de uma figura plana. Os
principais são:
16.1.1. Método da Decomposição
Este
método é utilizado na determinação da área aproximada de uma
figura qualquer de lados retilíneos, delimitada sobre o papel e em
qualquer escala.
O
método consiste em decompor a figura original em figuras geométricas
conhecidas (triângulos, retângulos, trapézios, quadrados) e, uma
vez determinada a área de todas as figuras decompostas separadamente
(através de fórmulas elementares), a área da figura original será
dada pelo somatório das áreas parciais.
A
figura a seguir (DOMINGUES, 1979) ilustra a decomposição de uma
figura irregular em quatro figuras geométricas conhecidas (três triângulos
e um trapézio) cujas áreas podem ser calculadas pelas seguintes fórmulas
elementares:
16.1.2.
Método dos Trapézios
O
método dos Trapézios ou de Bezout é utilizado na avaliação de áreas ditas
extrapoligonais, ou seja, aquelas que representam figuras decompostas
de lados irregulares ou curvos (delimitados por uma estrada, rio,
lago, etc.).
Como
mostra a figura a seguir (DOMINGUES, 1979), o método consiste em
dividir a figura decomposta em vários trapézios de alturas (h)
iguais.
Para
a referida figura, a área será dada pela relação:
onde,
bE = b1 + bn (soma das bases
externas: trapézios extremos)
e
bI = b2 + ... + bn-1 (soma das
bases internas)
Nestes
casos, a precisão da área obtida é tanto maior quanto menor for o
valor de (h).
16.1.3.
Método do Gabarito
Para
uma avaliação rápida e eficiente de áreas de figuras quaisquer
(irregulares ou não) costuma-se utilizar gabaritos.
Os
gabaritos são normalmente construídos sobre superfícies plásticas
transparentes, vidro ou papel.
Para
a avaliação de áreas, dois tipos de gabaritos podem ser utilizados.
São eles:
16.1.3.1.
Por Faixas
Este
é um gabarito que consiste de linhas horizontais traçadas a
intervalos regulares, ou seja, espaçadas entre si de um mesmo valor
gerando várias faixas consecutivas.
Assim,
para a determinação da área de uma figura basta posicionar o
gabarito sobre a mesma e, com o auxílio de uma mesa de luz e uma régua,
medir o comprimento das linhas que interceptam os seus limites.
A
figura a seguir ilustra os comprimentos medidos com régua referentes
às linhas do gabarito que interceptaram o perímetro de uma
determinada figura traçada sobre um mapa.
A
área desta figura é função do espaçamento entre as linhas (h) e
do comprimento das mesmas ao interceptar os limites da figura (Sb).
Assim,
para um número n de linhas
medido:
para
i = 1, 2, ... , n
Como
para o método anterior, a precisão da área obtida é tanto maior
quanto menor for o valor de (h).
16.1.3.2.
Quadrículas
Este
é um gabarito que consiste de linhas horizontais e verticais traçadas
a intervalos regulares gerando um conjunto de quadrículas.
Assim
como para o método anterior, a medida da área de uma figura é
determinada posicionando-se o gabarito sobre a figura e, com o auxílio
de uma mesa de luz, contar o número de quadrículas contidas pela
mesma.
A
figura a seguir ilustra o conjunto de quadrículas contidas em uma
figura traçada sobre um mapa.
A
área da figura é função da área da quadrícula base (sQ)
e do número de quadrículas envolvidas (Qn).
A
precisão da área obtida por este método é tanto maior quanto menor
for a área da quadrícula.
16.2.
Método Mecânico ou Eletrônico
O
método é dito mecânico ou eletrônico quando, para a avaliação da
área, utilizam-se aparelhos mecânicos ou eletrônicos.
16.2.1.
Planímetro Polar
O
planímetro é um aparelho que consiste de duas hastes
articuladas, um pólo,
um traçador e um tambor.
Pela
figura a seguir é possível visualizar que:
·
· Na extremidade da
primeira haste encontra-se uma ponta seca presa a um peso, denominada pólo,
utilizada para a fixação da própria haste.
·
· Na extremidade da
segunda haste há uma lente cujo centro é marcado por um ponto ou
cruzeta, denominada traçador.
·
· Na articulação das
duas hastes encontra-se um tambor
graduado conectado a um contador de voltas. A este conjunto
denomina-se integrante.
A
diferença do aparelho mecânico para o eletrônico está justamente
no integrante. Para o aparelho mecânico, há necessidade de ler o número
de voltas que o aparelho deu ao percorrer o perímetro de uma
determinada figura e, em função da escala da planta, calcular a área
através de uma relação matemática.
O
aparelho eletrônico, por sua vez, permite a entrada da escala da
planta (através de digitação) e a escolha da unidade a ser
trabalhada. Assim, ao terminar de percorrer a figura, este exibe,
automaticamente, o valor da área num visor de LCD (cristal líquido).
Como
na figura a seguir (ESPARTEL, 1987), a utilização do planímetro se
faz:
Sempre
em superfície plana.
O pólo
deve ser fixado dentro ou fora da figura a medir, dependendo do seu
tamanho.
As hastes
devem ser dispostas de maneira a formar um ângulo reto entre si,
assim, é possível verificar se o traçador
contornará a figura facilmente.
Escolhe-se um ponto de partida para
as medições.
O aparelho deve ser zerado neste
ponto.
Percorre-se o contorno da figura
com o traçador, no sentido horário, voltando ao ponto de partida.
Faz-se a leitura do tambor (aparelho mecânico), ou, a leitura no visor (aparelho eletrônico).
Para
a avaliação final da área, toma-se sempre a média de (no mínimo)
três leituras com o planímetro.
16.2.2.
Balança de Precisão
Este
método avalia a área de uma figura em função do seu peso.
Para
tanto, é necessário que se tenha à disposição uma balança de
precisão (leitura entre o 0,01 e 0,001g).
O
método consiste em tomar como amostra uma figura cuja área seja
conhecida e que esteja representada sobre papel cuja gramatura seja a
mesma da figura que se quer avaliar.
Assim,
para a avaliação da área de uma figura qualquer é preciso:
·
· Desenhar uma figura
geométrica conhecida (quadrado, retângulo, triângulo, trapézio) em
determinado tipo de papel.
·
· Recortar esta figura de
área (sA)
conhecida e pesá-la (pa).
·
· Transcrever os limites
da figura a ser avaliada para o mesmo tipo de papel (utilizando mesa
de luz).
·
· Recortar esta figura de
área (S) desconhecida e
pesá-la (P).
A
área da figura que ser quer avaliar poderá, então, ser facilmente
obtida através de uma regra de três simples, ou, através da
seguinte relação:
16.3.
Método Analítico
Segundo
DOMINGUES (1979) a área de uma superfície plana limitada por uma
poligonal fechada pode ser determinada analiticamente quando se
conhecem as coordenadas ortogonais dos seus vértices.
Dos
métodos analíticos conhecidos, sem dúvida, o mais empregado para a
avaliação de áreas de figuras planas é o de Gauss.
16.3.1.
Método de Gauss
Como
na figura abaixo, consiste em, dadas as coordenadas (X,Y)
de pontos de uma figura fechada qualquer, determinar a área desta
figura seguindo os seguintes critérios:
As
coordenadas do ponto de partida e de chegada devem ser as mesmas Õ
X1 = Xn e Y1 = Yn.
Percorrendo a poligonal no sentido
horário, somam-se as ordenadas (Y) dos pontos, aos pares, ou seja, de
duas em duas.
Na seqüência, porém em sentido
contrário, subtraem-se as abcissas (X) dos pontos, também aos pares.
Os resultados de cada soma e subtração,
para um mesmo ponto, são multiplicados entre si (Y.X).
Somam-se, algebricamente, todos os
produtos encontrados ((Y . X)).
A
área final é dada pela seguinte relação:
16.4.
Exercícios
1.Determine
a área total de uma figura qualquer, em cm², sabendo-se que esta foi
dividida em duas figuras geométricas conhecidas. São elas:
trapézio
base maior(b) = 23,5cm; base menor(a) = 15,7cm; altura(h) = 5,3cm
triângulo qualquer lado(a) = 6,6cm; lado(b) = 5,3cm; lado(c) =
8,3cm
2.Determine
a área de uma figura, pelo método de Gauss, sabendo que a mesma é
definida por seis pontos cujas coordenadas são:
|
Ponto
|
X
|
Y
|
|
1
|
100mm
|
100mm
|
|
2
|
223mm
|
167mm
|
|
3
|
304mm
|
017mm
|
|
4
|
128mm
|
-79mm
|
|
5
|
002mm
|
-56mm
|
|
6
|
-41mm
|
023mm
|
|
|
|
|
Considerando
que esta figura está delimitada sobre uma planta na escala 1:2.000,
determine o valor da sua área real (m²).
3.Qual
seria o valor da área de uma figura de 1,83g de peso sabendo-se que
uma amostra de 10cm x 15cm, no mesmo tipo de papel, tem peso igual a
0,76g?
4.Calcule
a área de uma poligonal triangular a partir dos dados relacionados
abaixo.
DH(AB)
= 100,320m
Hz(CAB)
= 6610'
Hz(CBA)
= 4142'
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