Apostila ( 05 ) - Estradas

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ESTUDO DA ESTRADA E SUA IMPORTÂNCIA

 

Influências sociais, políticas, econômicas e ecológicas

            Inicialmente, antes de entrarmos diretamente no estudo de uma estrada devemos ressaltar a sua influência econômica, política, social e ecológica sobre a região a ser por ela atravessada.

Assim é que, economicamente abrem-se novos horizontes para o desenvolvimento, pela circulação rápida de produtos, possibilitando a exploração de regiões até então abandonadas. A ligação de polos potencialmente ricos através de estradas permite a consolidação da economia regional. O turismo atualmente exige rodovias bem estruturadas, que façam fluir o tráfego, evitando acidentes e perda de tempo em filas e/ou trânsito lento.

Social e politicamente, podemos dizer que a abertura de novas estradas possibilita o alargamento das fronteiras internas formando novos aglomerados humanos que, futuramente, transformar-se-ão em cidades que constituirão as células do desenvolvimento nacional.

Politicamente, observamos que as estradas além de constituírem fatores de segurança nacional, prestam-se também para definir administrações. Assim, dizia o presidente Washington Luiz: “Governar é abrir estradas”.

Ecologicamente, a construção de uma estrada provoca um acidente ambiental irreparável. Não é possível construir uma estrada sem causar danos à natureza. Portanto este é um fator muito crítico que deve ser muito bem analisado, pois tem que se buscar um equilíbrio ecológico, para que a estrada não atrapalhe a natureza e nem a natureza atrapalhe o desenvolvimento social. Logicamente, possuem dispositivos no projeto de uma estrada que ajudam a preservar a natureza, como os túneis, pontes e elevados.

 

Fases do estudo

            O estudo de um traçado de estrada está dividido em quatro fases: Reconhecimento, Exploração, Projeto e Locação.

Reconhecimento

            O reconhecimento tem por objetivo o estudo geral de uma ampla faixa do terreno, ao longo de um itinerário por onde se supõe poder passar o traçado da estrada. Supondo-se que se deseja projetar uma estrada entre duas cidades A e B, os trabalhos de reconhecimento visam obter as diversas alternativas de traçado desta ligação, numa ampla área situada entre os extremos A e B. Estas alternativas de traçado ficam condicionadas pela topografia, características técnicas da estrada, condições sócio-econômicas da região, políticas, ecológicas e às vezes também militar.

 

Elementos necessários para o reconhecimento

            Para se fazer o reconhecimento, necessita-se conhecer previamente a Localização dos pontos inicial e final da estrada e a Indicação dos pontos obrigatórios de passagem.

            A todos os pontos por onde uma estrada deverá passar obrigatoriamente, inclusive os pontos extremos, denomina-se “Pontos Obrigatórios de Passagem”. Esta obrigatoriedade, entretanto, pode ser determinada por fatores de ordem técnica ou por fatores de outra natureza (políticos, econômicos, sociais, históricas, ecológicas, etc.).

Os pontos extremos de uma estrada são, sempre, determinados por condições que independem de qualquer exigência técnica. Da mesma forma, podem ser determinados alguns pontos intermediários (uma cidade ou povoado que deve ser servida, uma indústria que precisa escoar sua produção, etc.). Estes pontos são sempre definidos antes do início do estudo. São denominados de PONTOS OBRIGATÓRIOS DE PASSAGEM DE CONDIÇÃO.

Quando, entretanto, durante o reconhecimento, selecionam-se pontos, no terreno, pelos quais será tecnicamente mais vantajoso passara a estrada (seja para se obter melhores condições de tráfego, seja para possibilitar obras menos dispendiosas, etc.), estar-se-á determinando PONTOS OBRIGATÓRIOS DE PASSAGEM DE CIRCUNSTÂNCIA. A escolha desses pontos é problema técnico e exige o máximo critério.

A reta que liga os pontos extremos da estrada é a DIRETRIZ GERAL, representando a solução ideal para a realizar a ligação entre os pontos extremos. Isso seria possível somente em condições excepcionalíssimas do terreno e caso não houvesse, entre A e B, nenhum ponto de interesse que forçasse a desviar a estrada de seu traçado ideal.  

Cada uma das retas sue liga dois pontos obrigatórios intermediários é uma DIRETRIZ PARCIAL. Do estudo de todas as diretrizes parciais possíveis, resulta a escolha das que fornecerão o traçado no campo, isto é, a faixa de terreno onde se situará a estrada. 


  

            No desenho acima, a estrada não pode seguir a diretriz geral (linha reta AB). Vários motivos influenciaram a criação de uma diretriz parcial. A estrada deve passar próximo à vila para atender a população (ponto C), deve passar pelo ponto mais estreito do rio (ponto 1), não apenas para possibilitar uma ponte menos onerosa, como também reduzir a área de pesquisas geológicas para estudos de fundações da ponte. Não deverá também cortar o rio três vezes pois exigiria a construção de três pontes (ponto 2). O aterro sobre banhado é sempre complicado (ponto 3) e grandes cortes são sempre caros. Os pontos A, B e C são pontos obrigatórios de passagem de condição e não dependem de condições técnicas. Já os pontos 1, 2 e 3, são pontos obrigatórios de passagem de circunstância.
  
Fases do Reconhecimento

As tarefas a serem desenvolvidas no reconhecimento consistem basicamente de: 
- Coleta de dados sobre a região (mapas, cartas, fotos aéreas, estudos geológicos e hidrológicos existentes, projetos agropecuários realizados, dados sócio-econômicos da região, elementos topográficos, estudos de tráfego, etc.); 
- A observação do terreno (no campo, em cartas ou em fotografias aéreas), dentro do qual se situam os pontos obrigatórios de condição; 
- A determinação da diretriz parcial, considerando-se apenas os pontos obrigatórios de condição; 
- A seleção dos pontos obrigatórios de passagem de circunstância (tantos quantos possíveis); 
- A determinação das diversas diretrizes parciais possíveis, considerando-se além dos pontos obrigatórios de condição, também os de circunstância; 
- A seleção das diretrizes parciais que forneçam o traçado mais próximo da diretriz geral; 
- Levantamento de quantitativos e custos preliminares das alternativas; 
- Avaliação dos traçados. 


Tipos de Reconhecimento
               A profundidade ou detalhamento dos trabalhos de campo, para a fase de reconhecimento, dependerá da existência e da qualidade das informações disponíveis sobre a região. 
Reconhecimento em Cartas e Fotos
               Como as cartas são em pequenas escalas, não é possível a definição do traçado sobre as mesmas. Este tipo de reconhecimento servirá apenas para definir algumas diretrizes, e deverá então uma equipe ir a campo para analisar qual a melhor. Para a definição das várias diretrizes, utiliza-se fotos aéreas onde pode-se obter mais detalhes que não constam nas cartas. 


Reconhecimento em Restituição Aerofotogramétrico
              
O emprego da técnica aerofotogramétrica vem sendo amplamente utilizado devido a rapidez e excelentes resultados obtidos nesta fase do estudo da estrada. Com as fotografias aéreas e com o apoio de campo para a correção da deformação fotográfica, produz-se então uma restituição aerofotogramétrica, que nada mais é do que o equivalente a um levantamento topográfico planialtimétrico cadastral.

 

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